Ombro e Cotovelo

Capsulite Adesiva: Como tratar o "ombro congelado" e recuperar os movimentos.

Por Dr. Ítalo Nunes Vieira | Leitura: 3 min
Capsulite Adesiva e Ombro Congelado

A capsulite adesiva, popularmente conhecida como "ombro congelado", é uma condição enigmática e altamente debilitante que afeta a cápsula articular o tecido flexível que envolve e protege a articulação do ombro. Por razões muitas vezes ligadas a alterações metabólicas, como o diabetes ou distúrbios da tireoide, ou após longos períodos de imobilização, essa cápsula inflama severamente, tornando-se espessa, retraída e rígida, prendendo os ossos e limitando drasticamente a mobilidade.

O desenvolvimento da doença ocorre em fases bem características. A primeira é a fase inflamatória, marcada por uma dor aguda e insuportável, especialmente à noite, que impede o paciente de dormir ou encontrar uma posição confortável. Em seguida, entra a fase de "congelamento", onde a dor pode até diminuir levemente, mas o ombro perde quase toda a sua amplitude de movimento. O paciente torna-se incapaz de realizar tarefas simples, como pentear o cabelo, vestir uma camisa ou alcançar o cinto de segurança.

O diagnóstico da capsulite adesiva é essencialmente clínico e exige a expertise de um especialista em ombro. O principal marcador no consultório é a restrição dolorosa tanto do movimento ativo (quando o paciente tenta mexer) quanto do movimento passivo (quando o médico tenta mover o braço do paciente). Exames de imagem, como a ressonância magnética, são solicitados primariamente para confirmar o espessamento da cápsula e descartar outras patologias concomitantes, como rupturas do manguito rotador.

O tratamento conservador é a base da recuperação e exige paciência, pois o ciclo da doença pode durar meses. Na fase de dor aguda, o uso de analgésicos potentes e anti-inflamatórios é fundamental, aliado a uma fisioterapia muito gentil, focada apenas no alívio da dor e não no ganho forçado de movimento. Forçar o ombro durante a inflamação severa pode gerar microtraumas na cápsula, agravando o processo inflamatório e retardando a cura.

Para acelerar o processo e proporcionar alívio rápido na fase mais dolorosa, os bloqueios anestésicos e as infiltrações intra-articulares com corticosteroides guiadas por ultrassom são altamente eficazes. Outro procedimento de consultório promissor é a hidrodilatação, onde injetamos soro fisiológico para "esticar" a cápsula encolhida de dentro para fora. Além disso, a Terapia por Ondas de Choque tem se mostrado uma excelente aliada para estimular a vascularização e o relaxamento dos tecidos pericapsulares.

A intervenção cirúrgica, conhecida como liberação capsular artroscópica, é reservada exclusivamente para a minoria dos casos em que o ombro permanece rigidamente congelado após meses de tratamento conservador intensivo e infiltrações. Realizada por vídeo, a cirurgia corta as traves de fibrose da cápsula, soltando a articulação. Felizmente, a capsulite é uma doença autolimitada; com o acompanhamento médico correto e as terapias direcionadas, o ombro "descongela" e a qualidade de vida é totalmente restabelecida.

Autor e Especialista

Dr. Ítalo Nunes Vieira

CRM-DF 29105 · RQE 25132

Ortopedista e Traumatologista com Fellowship em Ombro e Cotovelo pelo HBDF. Membro Titular da SBOT. Prioriza a escuta ativa e os tratamentos menos invasivos para a reabilitação da dor musculoesquelética aguda e crônica.

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